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Ruy Sampaio é jornalista. Atualmente ocupa o cargo de secretário de Comunicação Social de São José do Rio Preto-SP. Formado em jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina em 1986, também atuou como redator nos jornais Correio de Notícias, de Curitiba (PR), em 1987, e Folha de Londrina, entre 1987 e 1988. Foi também produtor de jornalismo na Rádio Independência em 1989 e da extinta Rede Globo Noroeste Paulista (atual TV TEM), professor na área de jornalismo do Centro Universitário do Norte Paulista (1996-1997) e editor de jornalismo da Rádio Band FM, em 1997. No jornal Diário da Região, em Rio Preto, foi redator e subeditor executivo entre 1990 e 1996; redator da coluna “Politiká” e editor de política até 2000, quando assumiu -- até 2004 -- o cargo de secretário municipal de Cultura.
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Uma volta pelo universo da cultura




Uma visão mais atenta sobre o cotidiano




O melhor da noite




A título de contribuição




Uma maneira diferenciada de apresentar e comentar os fatos da área




Uma questão de respeito e direito




Pesca seletiva




Pensamentos, observações, divagações, palpites...




Comentários sobre o que se noticia e o que não se noticia




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Abril 3, 2007





Ruy Sampaio, discursando na inauguração da Educativa

Uma rádio Educativa

No dia 27 de março, a Prefeitura de Rio Preto inaugurou a Rádio Educativa Rio Preto FM. Em caráter experimental desde o final de 2004, ela passou a funcionar no 3º andar do Centro Cultural "Professor Daud Jorge Simão", onde foram construídos os estúdios, a redação e o setor administrativo. Também estréia hoje a programação jornalística da rádio, que contará inicialmente com o radiojornal "Desperta Rio Preto", o "Giro de Notícias", além de flashes no decorrer do dia.

A Rádio Educativa Rio Preto FM 106,7 está sob a responsabilidade da Secretaria de Comunicação Social. Ela se diferencia das rádios comerciais porque é pública e tem como proposta uma programação plural e democrática. Calcada no tripé educação-música-jornalismo, a Rádio Educativa quer se transformar num espaço de difusão de idéias e projetos educativo-culturais, que tenham um comprometimento de transformação da sociedade.

Na área da educação, trilhará o caminho de ser um complemento no processo de aquisição do conhecimento. A Educativa FM é pensada como um instrumento de entretenimento, mas também de saber, de reflexão. A programação musical e cultural abrirá espaço para os rio-pretenses, tendo como compromisso a qualidade e a valorização da cultura.

A emissora fará um jornalismo comprometido com os interesses da comunidade. Um jornalismo sério, incentivando o debate. Entendemos que a informação é um direto da população. Vamos abrir espaço para os excluídos dos meios de comunicação. Democratizar as fontes e pautas. O interesse público estará em primeiro lugar. O sensacionalismo, a espetacularização da notícia, o furo a qualquer preço não fazem parte do repertório dos profissionais da Educativa.

Esses conceitos já haviam sido discutidos com o prefeito Edinho Araújo, quando, em 2004, depois de quatro anos à frente da Secretaria de Cultura, me convidou para assumir a pasta da Comunicação Social. Ele queria dinamizar o setor e ampliar os canais de comunicação com a comunidade.

Aos poucos, mudamos a feição da pasta, dando seqüência ao trabalho iniciado pela jornalista Patricia Pimentel. Montamos uma equipe com profissionais competentes ¿ ampliada agora com a inauguração da rádio --, equipamos a Secretaria e agilizamos o atendimento aos veículos de comunicação. Fechamos um contrato ainda mais vantajoso que o anterior para a publicação do Diário Oficial, além de disponibilizar os atos oficiais no Portal da Prefeitura (www.riopreto.sp.gov.br). Contratamos uma agência para cuidar da publicidade oficial. O Portal do Cidadão ganhou nova roupagem, valorizando a informação e, em pouco mais de dois anos, são mais de 20 milhões de páginas acessadas.

Com a inauguração da Rádio Educativa Rio Preto FM, avançamos ainda mais. Estamos transformando em realidade o sonho de pessoas como Alberto Cecconi, um grande entusiasta da rádio, de Clenira Sarkis, sua guardiã nos últimos anos, de Patrícia Pimentel, que a colocou para funcionar em caráter experimental, e do prefeito Edinho Araújo, que tirou a rádio do papel e fez seu som irradiar por toda Rio Preto e região.






Museu Naïf

No dia 23 de março, a Prefeitura de Rio Preto, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, inaugurou o MAN - Museu de Arte Naïf. No mesmo ato, foram entregues, totalmente restaurados, 15 painéis que compõem "A História de Minha Vida", do artista primitivista José Antônio da Silva, pintados diretamente na parede.

A recuperação dos painéis teve início em 2004, quando a Prefeitura de Rio Preto fechou um contrato com a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, um patrocínio inédito na história da cidade, sendo que do valor total R$ 330 mil foram destinados à recuperação do prédio do Tiro de Guerra e das obras do Silva.

Desse montante, R$ 240 mil foram investidos na reforma do prédio do antigo Tiro de Guerra, situado na esquina das ruas Voluntários de São Paulo e Saldanha Marinho, tombado pelo município em 2004. Outros R$ 90 mil foram utilizados na restauração das obras do pintor primitivista José Antônio da Silva pintadas ali.

O custo para a recuperação das obras havia sido levantado, em 2004, pela Secretaria de Cultura de Rio Preto, que contratou a especialista Luciana Bonadio para uma análise criteriosa das obras, e deu-se inicío ao processo de licitação para a contratação de profissional para dar início à restauração das obras.

Em 2005 e 2006, o secretário de Cultura Pedro Ganga deu continuidade ao processo iniciado em 2004, que culminou na recuperação das obras do Silva e na criação do Museu de Arte Naïf, que agora o prefeito Edinho Araújo entregou à comunidade.


Fevereiro 1, 2007




Fabricio Spatti

Swift:
Transformada em Universidade Livre das Artes


Ocupação vitoriosa

Ruy Sampaio


Rio Preto vai ganhar um anfiteatro com capacidade para 1 mil pessoas, um centro de exposições culturais e espaço adequado para o Arquivo Público Municipal. As obras, apresentadas há pouco mais de 15 dias pelo prefeito Edinho Araújo, integram o projeto de implementação da Universidade Livre -- Educação, Cultura e Artes, na Swift.

No empreendimento, a Prefeitura vai investir R$ 3 milhões neste ano. As obras devem começar no segundo semestre, com o término da licitação. O primeiro passo será a abertura da concorrência para a elaboração dos projetos estrutural, elétrico e hidráulico. Depois de concluído, o espaço poderá abrigar grandes eventos educacionais e culturais.

O processo de recuperação da Swift teve início em 2001. Assumimos a Secretaria de Cultura e, na época, nos deparamos com o prédio abandonado e ocupado por famílias. Começamos pela limpeza. Foram retirados 32 caminhões de entulho. Na seqüência, contratamos uma empresa para fazer a descupinização do madeiramento do prédio e havia o risco de desabamento. De forma amigável, conseguimos remover as famílias que ao longo dos anos ali se instalaram.

Fizemos a contratação da Cavalari Engenharia e Topografia, que se responsabilizou pelo desenvolvimento criterioso das plantas do imóvel e levantamento planialtimétrico. Depois, veio a Delphos Serviços Técnicos, que realizou um trabalho de avaliação hidráulica, elétrica e estrutural do complexo. Além disso, pequenos desajustes, provocados pelo tempo, foram sanados, bem como o reforço de fundação em várias partes do prédio. À época, a empresa concedeu à Prefeitura um diagnóstico animador: a Swift é uma fortaleza em sua estrutura e construção.

Entendíamos que somente um processo de ocupação iria promover a recuperação da Swift. Em 2002, começamos a desenvolver atividades culturais no local. No ano seguinte, a peça "Hysteria", do Festival Internacional de Teatro, já teve o prédio como palco. A ocupação daquele espaço era a única forma de dar vida ao local e deixar para trás anos e anos de abandono.

Em 2003, o complexo foi tombado pelo Condephaat ¿ Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo, numa ação conjunta do governo municipal e estadual.

A estratégia da ocupação teve o efeito desejado. Depois de ter se transformado em palco definitivo do FIT, a Swift foi transformada em Universidade Livre das Artes, realizando uma série de cursos e atividades em parceria com a USP -- Universidade de São Paulo e com a Faperp -- Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão de São José do Rio Preto, abrindo caminho para hoje ser a Universidade Livre, numa parceria entre a secretarias de Cultura e Educação.

Nos anos seguintes, 2005 e 2006, já sob a gestão do secretário de Cultura Pedro Ganga, novas reformas foram feitas no prédio. A Prefeitura trabalha desde o ano passado no projeto de reforma e recuperação da Swift, que conta com o envolvimento das secretarias de Educação, Cultura, Planejamento, Obras, Meio Ambiente e Urbanismo, Trânsito e Transportes e Desenvolvimento Econômico e Negócios de Turismo.

Acreditamos que somente com ações planejadas e ordenadas é possível atingir nossos objetivos. No nosso caso, a ocupação da Swift se mostrou ser o caminho certo para transformá-la no principal pólo cultural da região noroeste do Estado.

É jornalista e secretário de Comunicação Social de Rio Preto

Janeiro 31, 2007




Jorge Etecheber

"O Auto do Circo", da Cia. Estavel de São Paulo,
no Janeiro Brasileiro da Comédia


No reino do teatro

Ruy Sampaio*


Rio Preto está acompanhando o Janeiro Brasileiro da Comédia. Criado em 2003, para formar público e proporcionar entretenimento de qualidade nas férias escolares, o evento se consolidou com uma das principais atividades culturais da cidade. Todas as sessões lotam e até são necessárias sessões extras para atender à grande procura.

O Janeiro faz parte de uma gama de eventos teatrais, que para alguns transformaram Rio Preto na "Capital Nacional do Teatro". Realmente, por aqui a atividade teatral ocupa um espaço superior às demais atividades artísticas. Além do Janeiro, Rio Preto realiza o Apenas R$ 1,99, o Aldeia FIT e finalmente o Festival Internacional de Teatro. Portanto, podemos afirmar com tranqüilidade que Rio Preto respira teatro o ano todo.

Apesar de todo esse quadro, algo não vai bem no reino do teatro. A produção local, tanto em quantidade, quanto em qualidade, está aquém do que se espera de uma cidade "Capital Nacional do Teatro". Por que isso acontece? Falta de estímulo do Poder Público? Não.

O que não faltou de 2001 para cá foi estímulo. A Prefeitura criou o Prêmio Estímulo Nelson Seixas, transformado em programa de fomento, que investe na categoria teatro todo ano R$ 40 mil. Também instalou os Núcleos Municipais de Artes. E ainda criou a Universidade Livre das Artes, na Swift. Nos últimos seis anos, foram inúmeras oficinas de artes cênicas, workshops, palestras, debates.

Em 2004, foi firmada uma parceria com a Unesp, para em 2005 realizar um curso de teatro na universidade para semear o caminho para um curso superior de artes cênicas no Ibilce. Enfim, passaram por aqui, nos seis últimos anos, espetáculos abrangendo todas as vertentes e linguagens teatrais, companhias conceituadas do mundo todo, dramaturgos e diretores de renome. Mesmo assim, a produção local deixa a desejar.

O que fazer para mudar esse quadro? Não podemos nos restringir a poucos e heróicos exemplos, como o da Cia. Palhaços Noturnos, que no ano passado foi selecionada para receber R$ 40 mil do Programa de Ação Cultural, para a montagem do espetáculo "Aqueles Dois". Ou ainda o de Jorge Vermelho, que sem deixar a Cia. Azul-Celeste de lado dedicou todo seu conhecimento teatral assumindo a função de agente cultural. Ou ainda o GTR, que ao longo de 50 anos não encontra barreiras suficientes que o faça desistir desta arte. Temos ainda a Fábrica de Sonhos, que se dedica ao teatro infantil, para citar alguns exemplos.

Isso não basta. Porque até Wander Ferreira Junnior, que, ao lado de Jorge Vermelho e Rick Matiolli formava o trio sensação do teatro rio-pretense, não resistiu. O teatro já não é sua principal ocupação profissional. Este cenário precisa tomar outro rumo ou continuaremos, sim, sendo a "Capital Nacional da Apresentação de Espetáculos de Teatro Produzidos Fora de Rio Preto".

*É jornalista e secretário de Comunicação Social de Rio Preto, artigo publicado no Diário da Região, 27/1/2007





Ricardo Boni

Jorge Vermelho


Capital nacional do teatro

Jorge Vermelho*


Em artigo publicado neste jornal no dia 27, assinado pelo jornalista Ruy Sampaio, ex-Secretário de Cultura e atual Secretário de Comunicação, percebo um discurso que parece identificar e mapear toda a atual produção teatral, classificando-a como "aquém" do modelo da produção nacional. Ele diz que os investimentos realizados de 2001 para cá foram suficientes para um esperado avanço da quantidade e da qualidade do resultado artístico do segmento teatral.

Eu pergunto: E o que NÃO foi feito antes de 2001? Será que ainda não está influenciando a produção atual? A poupança rende imediatamente? Cultura sempre foi e sempre será um item de menor importância neste país, por motivos óbvios, de interesse superior.

Desenvolvo meu trabalho teatral há anos em Rio Preto, com a minha Companhia Azul-Celeste e resisto a tudo. Há 6 anos me dedico à administração municipal, acreditando poder realizar um trabalho que contribua para o desenvolvimento da minha cidade e dessa forma criar o acesso à cultura de uma forma mais democrática. Ruy está certo e está errado. Certo, quando diz que é necessário investimento.

Precisamos, de muito investimento e atenção, para que não tenhamos novamente um êxodo cultural, como o de tempos atrás onde artistas deixaram Rio Preto para conquistar espaço em outras cidades. Errado quando diz que a produção riopretense não é representativa.

Como em qualquer outro lugar, aqui em Rio Preto temos gente com talento e gente sem talento. Esperar talento de todos seria mediocridade. Precisamos de investimentos em diferentes níveis.

Os que estão começando sua carreira, precisam de técnicas e conversas iniciais. Os que já se estabeleceram, precisam de reciclagem, aprimoramento e provocações avançadas para o que o patamar de discussão se eleve. Estou na administração pública e sou artista. Continuo artista. Isso ninguém me rouba. Recentemente, minha companhia foi escolhida pelo SESI de São Paulo num edital que patrocinará a montagem do espetáculo "Cem gramas de dentes" de Bosco Brasil. No Estado de São Paulo, a Companhia Azul-Celeste ser a escolhida é motivo inclusive de "artigo" no jornal, e isto infelizmente não acontece nesta cidade. Apenas "notinhas" disputadas pelos veículos concorrentes que correm atrás de um furo ou outro. O que furou foi o pneu da história! Não esqueçam que no ano passado, um grupo foi destaque na Folha de São Paulo durante o Festival Internacional de Teatro, com sua montagem de Navalha na carne, dirigida por Bhá Bocchi Prince. E aqui? Deu-se conta disso?

Precisamos parar de apontar as soluções na teoria e coloca-las na prática em regime de urgência. É necessário sair de trás das mesas e assumir o chão firme do palco. Entender as amarras e ajudar a desatar os nós. È preciso assistir o teatro de Rio Preto, ir aos espetáculos, ir aos ensaios e discutir com os produtores de cultura as verdadeiras necessidades, para que nossos pensamentos acerca do teatro sejam concretos e não alucinações do mundo de Alice.

Espero que o Secretário de Comunicação Ruy Sampaio, que também é meu amigo, veja a recente produção teatral de Rio Preto, assista o espetáculo "Doppelgänger" da Companhia Azul-Celeste (para o qual foi convidado), apareça na estréia de "Cem gramas de dentes" (para o qual será convidado) e apareça mais aqui pelos lados do Teatro Municipal. Quem sabe assim, ainda durante este Janeiro Brasileiro da Comédia, possamos dar muitas risadas... de nós mesmos.

*É ator e diretor da Companhia Azul-Celeste, diretor do Teatro Municipal de Rio Preto, artigo público no Diário da Região, 28/1/2007






Rogério Castro


Cala-te boca

O meio teatral não gostou de artigo do secretário de Comunicação, Ruy Sampaio, no "Diário da Região" de sábado, no qual argumenta que Rio Preto não tem produção em quantidade e qualidade para sustentar o rótulo de "capital nacional do teatro". Disse algo errado?
Rogério Castro, editor de política do jornal Bom Dia Rio Preto, 30/1/2007





Ricardo Boni

Ricardo Matiolli


Capital do Teatro

Ricardo Matiolli*

Fui surpreendido sábado, dia 27, por um artigo escrito pelo atual secretário de Comunicação Ruy Sampaio. No texto ele transita por pensamentos achistas sobre a qualidade e quantidade de "cias" locais e suas produções, comparando tudo isso com a chamada Capital Nacional do Teatro nomeada por este mesmo secretário, jornalistas e outros que dão nomes aos eventos sem critério algum.

Sou artista do mundo há anos e dirijo vários núcleos pela Cia Teatral Palhaçoes Noturnos e outras "cias" de Rio Preto e região e a dificuldade que encontramos com artistas sérios e inteiros chega ser mais violenta do que a verba (mesmo pequena) do governo local e do estado. Pensar que experimentos e concepções teatrais só dependem de sucessos e não de fracassos aumenta o nível do não-saber, em carne viva, o que "cias" locais e artistas de verdade enfrentam em suas salas de ensaio.

Importante saber que nós artistas não temos carteira assinada e nem salário fixo, nos comprometemos a sonhar, trabalhar e investir em nossas produções, porque somos livres e não temos nenhum tipo de acordo político ou emocional com ninguém. Pensei que com o tempo esse secretário, fosse estar mais presente nas atuais produções locais pra ver de perto o que aqui se faz e o que é feito lá fora.

*É diretor e produtor teatral, no jornal Diário da Região, 31/1/2007


"Apesar de Rio preto se conhecida pelos bons festivais que promove, a cidade está pobre de grupos e a qualidade dos espetáculos está cada vez pior."
Ricardo Matiolli, diretor e produtor teatral, no informativo Janeiro Brasileiro da Comédia, 29/1/2007





Ricardo Boni

Alexandre Mate


Riso como castigador de (certos) costumes

Alexandre Mate*


Até um determinado momento da história, e não exclusivamente no Brasil, para referir-se à dependência de um país em relação a outro se usava a palavra colonialismo. Esta palavra-conceito, um pouco depois, foi substituída por imperialismo. A partir da década de 1990, sobretudo, "colou", e então de modo sutil, a palavra-conceito globalização. Sem querer polemizar aqui o conceito (posto ser pequeno o espaço disponível), sabemos serem muitas as imposições e os modos de protecionismos diplomático-legais impostos pelos mais ricos aos pobres, impedindo os últimos aos inúmeros banquetes e divisão das riquezas com os primeiros.

Comparativamente, a comédia, desde sempre, padeceu em relação a outros gêneros teatrais ditos superiores, de todo tipo de preconceito e de preterimento. Faz parte do senso comum essa pseudo-inferioridade. Como quase nunca ela é discutida, somos induzidos, pelas mais diferentes estratégias, a acreditar mesmo que, por exemplo, o drama é superior à comédia, quando, na verdade, o que se tem são gêneros com características e objetivos diferentes.

Criar um evento como o JANEIRO BRASILEIRO DA COMÉDIA, tendo em vista toda forma de preconceito, pressupõe do Poder Público: coragem, arrojo, visão de futuro, atitude e, sobretudo, uma espécie de "justiça histórica" ao gênero e aos artistas. Então, é preciso, e de saída, louvar a todos aqueles envolvidos com esse evento: do secretário de Cultura aos (e sempre elogiados) funcionários do teatro, liderados por Jorge Vermelho.

Das 5 edições do evento, tive o privilégio de acompanhar e participar, como mediador, de 4 delas. Puro privilégio! Momentos inesquecíveis de prazer, de contentamento, de pertencimento, tanto em relação aos espetáculos como em relação às experiências trocadas nos debates.

Com a participação de um número sempre significativo, nos debates desta última edição, arriscaria dizer que até o final do evento é provável que o número de participantes "encha" a lotação da casa. Ou seja, é possível que mais de 424 pessoas tenham participado das discussões pós-espetáculos.

Dentre tantos outros fatores -- além da qualidade dos espetáculos, generosidade e talento de seus artistas, a política cultural que tem sido, inquestionavelmente, desenvolvida pelo poder político da cidade --, é preciso louvar, especificamente nesta edição, a comissão curadora, constituída por Jorge Vermelho, Alaor Ignácio dos Santos Júnior e Deodoro Moreira pela interessantíssima seleção de 10 espetáculos (entre os 84 projetos enviados). Nesta seleção, foram reunidas diferentes modalidades do gênero cômico e, por intermédio delas, pôde-se ampliar a apreciação estética do espectador e abrir-lhe novas perspectivas de pensar, vivenciar e entender o cômico.

Até agora (28/1), o público rio-pretense pôde se deliciar com cronistas cômicos; comicidade com utilização de microfone; delicadíssima comicidade clownesca; velhas personagens circenses narradas por jovens atores em trabalho épico; grotescas e deliciosas bufonas; sofisticada comicidade popular; personagens pantomímicas, disputando a inutilidade aprisionante dos desejos individuais.

Maravilha! Que venham muitos outros JANEIROS e, como diz o poeta: "a gente não quer só comida. A gente quer comida, diversão e arte."

*É professor e pesquisador de teatro






Impressões de bastidores da 2ª Bienal do Livro

David Oscar Vaz*


Uma observação de Moacyr Scliar depois de ouvi-lo falar que estava satisfeito com a boa organização da Bienal do Livro de São José do Rio Preto foi a seguinte: "Porque se a gente chega numa cidade e não tem ninguém no aeroporto esperando, é sinal que... hum!..." e fez uma cara que podia ser traduzida como "a coisa tem tudo para ser uma droga", para usar aqui um eufemismo.

Quando chegamos, e viemos no mesmo vôo de São Paulo sem saber, lá estava nos esperando no aeroporto uma moça simpática que, como soube depois, era uma anja. Sim, uma anja. Assim eram chamadas as moças designadas para prestar assistência aos escritores convidados ou ao mediador, no caso, eu. Lembrei imediatamente de uma entrevista de Domenico Massi no programa Roda-Viva, da TV Cultura. Alguém perguntou ao filósofo, provocativamente, é claro, se ele acreditava em anjos; e a sua resposta veio de bate-pronto: claro! E explicou assim: os anjos são criaturas invisíveis muito amigas dos homens, que se esforçam para realizar nossas vontades, particularmente nossos desejos de comunicação, por isso os anjos são os intermediários entre os homens e a divindade. Dessa forma, continuou explicando o filósofo, o operador de câmera, assim como o responsável por conectar o sinal de áudio e de vídeo ao satélite, e aquele outro que trabalha na estação de transmissão, e o maquiador que o atendeu horas antes, e a moça do cafezinho, todos esses seres invisíveis e talentosos que trabalharam para que sua imagem chegasse à casa do telespectador, eram anjos. Eu não tenho dúvida disso, e se comecei a falar deles, foi para dizer que a organização da 2ª Bienal do Livro de São José do Rio Preto tem nesse quesito da organização a nota máxima da excelência e, particularmente, quero agradecer e dar meus parabéns a todos os anjos e anjas que conheci nessa cidade. Se não escrevo aqui seus nomes é para não cometer a injustiça de esquecer algum, mas, mais do que isso, para não tirá-los de seus angelicais encantados anonimatos.

Como mediador, digo que a função de um Salão de Idéias é o de aproximar o escritor de seu leitor, seja este um leitor atual ou futuro, e a minha, como mediador, é a de que as idéias ou os sonhos de cada escritor sejam expostos da melhor maneira possível. Encontro-me assim numa situação curiosa: meio dividido, meio duplo, não sou debatedor, como às vezes gostaria, ainda que em certas ocasiões coloque meu ponto de vista, mas não sou neutro, mesmo que muitas vezes não coloque minha opinião. Há uma diversidade admirável de grandes talentos: ficcionistas, poetas, jornalistas com alma de pesquisador ou de divulgador cultural, pesquisador propriamente dito, cantor que resolveu estrear na literatura, educadora que se tornou apresentadora de TV, consultor que virou best-seller, e isso ao meu ver é bom que assim seja. Claro que a ênfase recai, e deve recair mesmo, no artista, seja ele ficcionista ou poeta. E, neste particular, sendo escritor e amante de literatura que sou, me senti particularmente privilegiado. Encontrei pessoas maravilhosas, autores de quem gostava e admirava e outros que, se não fosse pela Bienal, eu iria demorar ainda mais para conhecer.

Junto com alguns outros tantos felizardos, levarei desta Bienal certos momentos que sei que serão impossíveis de se repetir. Assistir, por exemplo, à Marina Colasanti contando um de seus contos; ouvir a fala de Affonso Romano de Sant'Anna; descobrir com Fernando Nuno, como se eu já o conhecesse há tanto tempo, que uma grande obra pode ser dignamente adaptada, coisa que eu não acreditava até então; conhecer o trabalho da Silvana Salerno; encontrar a inquietante Fanny; saber do trabalho em processo do novo romance do João Silvério Trevisan e conhecê-lo melhor; sentir o clima de pura poesia que se instaurou quando da fala de Bartolomeu Campos de Queirós. Ora... isso tudo foi muito grandioso e notem que eu só estou falando daqueles que não são assim tão estrelas. Deixo uma sugestão para o próximo Salão de Idéias, que cada encontro seja filmado, eu garanto que quem assistisse depois a uma das falas citadas acima se arrependeria profundamente de não ter estado lá.

Uma moça estudante de Letras ao fim de um dos encontros literários me disse:

- Que inveja eu sinto de você?

Depois de um segundo, eu respondi:

- Você tem toda razão.

Levo dessa cidade uma grande saudade e deixo aqui muitos amigos, um beijo para todos vocês.

* Mediador dos debates do Salão de Idéias da 2ª Bienal do Livro de Rio Preto





2ª BIENAL DO LIVRO DE RIO PRETO - 24/11 A 3/12/2006

Confira abaixo depoimentos de quem esteve
na 2ª Bienal do Livro de Rio Preto:


Affonso Romano de Sant'Anna
"Uma feira como esta faz o escritor circular: hoje são 80 feiras no Brasil. Depois, elas nos levam ao encontro de um novo público. E, em terceiro lugar, afirma a descentralização, mostrando que tem gente boa fora do eixo Rio-SP".

Marina Colasanti
"Falo com muita freqüência para jovens. E sempre acho que participar do Salão de Idéias é uma boa oportunidade. Os jovens precisam muito de orientação, de alguém que os ajude a se apaixonar pela literatura".

Maurício Kubrusly
"A única coisa que pode fazer uma verdadeira revolução é a educação. Precisamos de investimentos em todos os níveis para mudar a realidade e valorizar mais a simplicidade e a sabedoria do povo brasileiro. Ler exercita os neurônios, faz bem para saúde."

Cris Poli (supernanny)
"Um evento como este é muito importante, porque a leitura precisa ser estimulada não somente nas crianças, mas entre os adultos também. Aos pais, eu digo o seguinte: não tenham medo de impor limites a seus filhos".

Moacyr Scliar"
A leitura é uma necessidade e completa a tarefa da educação. Nesse sentido, apresentar ao leitor, sobretudo para o jovem, o livro num cenário descontraído, informal como o que vocês estão fazendo é muito importante para que ele perca a inibição e passe a gostar da leitura".

Lô Borges
"A platéia foi muito vibrante e havia muitos jovens. Fiquei honrado por ter participado da abertura da 2ª Bienal do Livro de Rio Preto. O público rio-pretense é caloroso, gostei da cidade e as lembranças que ficam são as melhores possíveis. O evento tem tudo a ver comigo".

Fátima Guedes
"Fiquei muito feliz em participar do evento, pois sou muito ligada à literatura de diversas formas. A importância de acontecimentos desse tipo é imensurável para a cultura e também para o espírito. O show foi muito prazeroso pra mim".

Gustavo Cerbasi
"De todos os eventos que participei este ano, incluindo a Bienal de São Paulo e a Feira do Livro de Porto Alegre, o melhor foi o de Rio Preto. O auditório do Salão de Idéias estava bem estruturado e a organização foi impecável. A organização está de parabéns".

João Silvério Trevisan
"Quem quer ser escritor deve escrever. A leitura é um diálogo importante com o mundo da literatura. É preciso acabar com a idéia de que literatura é intuição. A inspiração é apenas o começo do trabalho literário, o resto implica em muita disciplina, muito suor".

Gabriel O Pensador
"Normalmente, não gosto de fazer apresentação sem a minha banda. Mas, como foi um pedido da organização, eu topei fazer o show. E valeu a pena. Quando entrei no palco, achei a energia muito boa. Gostei muito!"

Dezembro 3, 2006




Após matéria do No Fronte, painéis são retirados


Rotatória no final da avenida Faria Lima - 3/12/2006


Rotatória no final da avenida Faria Lima - 4/10/2006

No último dia 4 de outubro, o blog No Fronte fez um alerta. Noticiou que em Rio Preto, a multiplicação de publicidade exterior (outdoors, painéis eletrônicos, anúncios em prédios, táxis e ônibus) estava ganhando uma proporção desmedida. Mostrou que até mesmo terrenos públicos haviam sido tomados por painéis de propaganda, interferindo de forma negativa no cenário da cidade.

Naquela ocasião o blog afirmou: ¿Eles vão se alastrando e tomando conta da cidade. Muitos ameaçam a segurança dos motoristas e prejudicam a visão. Caso exemplar, são os três painéis que acabam de ser instalados ao lado da rotatória no final da avenida Faria Lima (foto). Aliás, os painéis estão no canteiro central da avenida Benedito Rodrigues Lisboa para quem quiser ver.

Pois bem, os três painéis não estão mais lá. A empresa responsável por eles, após tomar ciência da matéria publicada no blog No Fronte, os retirou de lá.

Essa foi uma vitória da cidadania e do poder dos pequenos. Nenhum veículo da grande imprensa comprou a causa, apenas o No Fronte. Pequenas ações, como essa, muitas vezes podem refletir no cotidianos da pessoas com o objetivo de melhorar a qualidade de vida de todos. O No Fronte acredita que cumpriu seu papel ao não ficar calado. A cidade ganhou, ganharam os rio-pretenses.


Outubro 26, 2006



Wamberto Carneiro


Fabricio Spatti


Com o vice José Alencar
O vice-presidente da República e candidato à reeleição, José Alencar, esteve ontem em Rio Preto pedindo votos para a coligação Força do Povo, encabeçada pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva. Ele dá como favas contadas a vitória de Lula. Na cidade, defendeu o presidente das acusações dos adversários. Disse que Geraldo Alckmim não deveria fazer campanha ofendendo Lula. Aproveitou o encontro político preparado pelo prefeito Edinho Araújo, para contar um pouco de sua história. Como bom mineiro que é, falou manso e conquistou a platéia.


Outubro 18, 2006




Receita de voto à mineira

Ziraldo


"Segundo o Mauro Santayana, que não nasceu em Minas -- como o Itamar, que nasceu no mar -- , mas é uma instituição mineira, a gente tem que ter muito cuidado com paulista.
É claro que estou tratando a coisa como uma brincadeira, somos todos brasileiros (meus seis netos nasceram em São Paulo, a esposa do meu filho e os maridos de minhas filhas são paulistas e estou muito feliz com essa arrumação).
Como em nossa História, porém, nós, mineiros, andamos de pinimba revolucionária com a paulistada, as lendas correm soltas.

Os cariocas diziam que mineiros compravam bondes.
Compravam, sim, confirmam alguns mineiros mais espertos; mas pra vender pra paulistas.
Conta-se também que mineiros nunca se importavam de ver seus times sempre perdendo para os times paulistas.
E explicavam: Futebol nós perde; o que nós num perde é revolução.

Segundo o Mauro, que explica como a frase que vou citar surgiu - história da qual me esqueci -, a rapaziada de Minas mais próxima de São Paulo avisa pro resto da mineirada: "Paulista, nem à prazo nem à vista!"
Taí o Fernando Henrique Cardoso que não deixa a mineirada mentir, não é mesmo, Itamar?

Bem, depois de ler esta introdução e ver lá em cima o título do artigo, os mineiros que me leêm neste instante e para quem um pingo é letra já perceberam onde quero chegar.
Pra simplificar, antes de entrar em considerações é só lembrar ao meu povo -- mineiro, como vocês sabem, chama o povo lá de casa de povo -- que nós, o Brasil inteiro, ficamos, a esta altura, entregues a duas possibilidades paulistas:
Ou entra o Álck'min (cujo sobrenome é um desrespeito a Minas, terra dos alquimíns de Bocaiuva) ou entra o Lula que, no fundo, é um metalúrgico paulista que venceu na vida.

Nunca podemos nos esquecer de que, quando FHC assumiu, o projeto deles era o de ficar 20 anos no poder.
Dentro do plano, tiveram a cachimônia (adoro esta palavra!) de inventar o acontecimento mais antiético da história da República brasileira: a reeleição.
Ela foi um sujo golpe às instituições, uma medida que nem os militares da ditadura tiveram a coragem de perpetrar, realizada em causa própria -- com o principal beneficiário no poder -- e conseguida da maneira mais desonesta de que se tem notícia: comprando, por preço nunca sabido, o voto dos deputados que, sem que a imprensa brasileira se escandalizasse ao nível do que se escandaliza hoje, começavam a desmoralizar mais ainda o nosso tão desmoralizado Congresso.

Tudo começou com essa gente. E eles querem voltar ao poder.

"No pasarán!" - os mineiros têm a obrigação de dizer.

A trajetória política do Lula serviu para provar que a alma humana é que atrapalha todos os mais nobres planos de salvação de um povo.
A verdade é que ninguém, mas ninguém mesmo, ama o povo. É tudo conversa.
As pessoas se movem em torno do poder e só depois é que descobrem uma causa para justificar sua luta por ele (o poder).
Enquanto o ser humano, como indivíduo, mover-se em função do rancor, da carência afetiva e da inveja, não haverá possibilidade de êxito para qualquer causa coletiva.

Mas isso é outra história.

O Luis Fernando Veríssimo descobriu a pólvora: Lula é o sertão - vejam sua vitória no Norte e Nordeste; na alma do povo ele é mais de lá do que de São Bernardo - e o Alckmin é da Daslu.
Delenda Daslu! Não é possível que nós, mineiros - depois de termos cometido o erro que o Itamar cometeu, este de inventar essa deletéria figura do Fernando Henrique - vamos agora eleger o Alckmin.

Um erro, nós admitimos, dois, não - como diria o macaco que não devolveu o troco a mais na primeira compra e exigiu o troco a menos na segunda.
Tenho certeza de que o Aécio está no palanque apoiando o Alckmin por uma questão de lealdade ao seu partido -- onde ele me parece um estranho no ninho, mas já que está lá... -- e não por convicção.
Ele sabe que Lula tem que ganhar disparado em Minas neste segundo turno para evitar que Alckmin assuma a presidência e mele o projeto nacional de ter o Aécio como presidente do Brasil no próximo pleito.

Então, é isto: o Aécio está falando que é pra gente de Minas votar no Alckmin.

Mas, todo mineiro sabe que isto é como aquela velha anedota da rodoviária: "Ocê tá dizendo que vai pra Manhuaçu pra eu achar que ocê vai pra Manhumirim, mas, ocê vai é pra Manhuaçu, mesmo".
Ou seja, ele tá dizendo pra nós votá no Geraldo, mas é pra nós votá no Lula, mesmo.

Para aplacar a consciência dos possíveis eleitores do Lula que não votarão nele com muita alegria, prestem atenção:
independente das razões que dei até agora pra nós, mineiros, votarmos no Lula, tenho outras razões mais consistentes.

Todo mundo fala do escândalo da corrupção no governo Lula.
É realmente assustador, nunca vimos pessoal mais incompetente, mais desastrado, mais canhestro e - vamos lá - mais desonesto.
Quer dizer, mais desonestos já vimos, sim.
É só lembrar que a maioria dos escândalos que são atribuídos a estes melancólicos sindicalistas da tropa do Lula, esses peleguinhos de quinta ordem, sempre foram frequentes em administrações anteriores.
Só não tiveram tanta visibilidade como têm agora.

Muitos dos escândalos que se creditam à administração Lula começam no governo anterior, como o escândalo dos sanguessugas - cujo teor de gravidade pode ser medido pelo valor atribuído ao dossiê que o denuncia - e a fabulosa aventura do Marcos Valério.
Agora tudo se denuncia, tudo se apura, ainda que tudo vá ficar por isso mesmo, mas vejam um detalhe: a turminha do Lula, meus amigos, é descartável!
Eles são ladrõezinhos de m. dos quais o país pode se livrar com um peteleco. Vai ser fácil ficar livre deles.

O que nós nunca conseguiremos é livrarmo-nos da oligarquia brasileira, dos bornhauses da vida, dos jereissatis, dos ACMs, dos ricos paulistas que já tiveram a coragem de confessar: Somos todos corruptos!
É essa gente que herdou as capitanias hereditárias e que está montada no povo desde que os portugueses chegaram aqui.
É essa gente que construiu a parte indecente da história do nosso país. É essa gente que fala em ética, mas acha que aceitar voto de qualquer um é correto.

É essa gente farisaica que pensa que é melhor do que o povo do Lula.

Mas, não é.

Temos que dar mais uma chance a este segmento da sociedade que chegou ao poder com o Lula.
Eles estão sendo minados o tempo todo, mas, pelo menos, são outra gente. Não quero de volta os hipócritas da paulicéia desvairada. Prefiro o messianismo sertanejo do Lula.

Fonte: O Tempo (MG)

Outubro 5, 2006





Organização envolve frigoríficos da região

Polícia Federal prende 78 na Operação Grandes Lagos

A Polícia Federal prendeu, até o momento, 78 pessoas na tarde desta quinta-feira (5/10), na Operação Grandes Lagos, deflagrada pela manhã. O objetivo da ação é desbaratar uma grande organização criminosa envolvendo frigoríficos estabelecidos na região dos Grandes Lagos, no interior do Estado de São Paulo, sobretudo nos municípios de Jales, Fernandópolis e São José do Rio Preto, acusados da prática, dentre outros, dos crimes de sonegação fiscal e estelionato.

Segundo a assessoria da Polícia Federal, a operação conta com a participação de cerca de 700 policiais federais para cumprir mais de cem mandados de prisão e 143 mandados de busca e apreensão.

As buscas estão sendo realizadas em cinco Estados: São Paulo, Mato Grosso do Sul, Bahia, Minas Gerais e Goiás, em dezenas de cidades diferentes. Além da PF, participam da ação a Receita Federal, Secretaria da Receita Previdenciária e Ministério Público Federal.

A estrutura da organização criminosa seria composta por 159 empresas, incluindo suas filiais, e 173 pessoas que já foram identificadas. As funções de cada um no grupo variam: há os "cabeças", os "laranjas", os "gerentes", os servidores públicos, os "facilitadores" e os "taxistas".

As investigações foram iniciadas a partir de denúncias de um mega-esquema de sonegação fiscal cometido por um grupo que atuaria na região há pelo menos quinze anos. Verificava-se que nem as empresas, nem seus sócios, possuíam qualquer patrimônio em seu nome para honrá-las, indícios de que as pessoas que constavam do quadro societário destas empresas eram apenas ¿laranjas¿, e que as empresas fiscalizadas haviam sido constituídas com a única finalidade de sonegar tributos.

Na investigação, a Polícia Federal contou com a colaboração da Receita Federal e da Secretaria da Receita Previdenciária, ambas de São José de Rio Preto/SP.

Prejuízos

O prejuízo causado pela organização criminosa ultrapassa a soma de R$ 1 bilhão, em tributos e multas federais, estaduais e municipais que deixaram de ser recolhidos nos últimos anos e em créditos fictícios de ICMS que foram gerados mediante simulação de operações comerciais que não existiram de fato.

Fazem parte da organização criminosa mais de cem empresas. Para se ter uma idéia, apenas cinco destas empresas tiveram movimentação financeira, nos últimos cinco anos, de mais de R$ 2.200.000.000 (dois bilhões e duzentos mil reais), sem recolher um centavo sequer em tributos aos cofres públicos.

Das empresas criadas com o único propósito de emitir notas fiscais frias, destaca-se a Pereira & Pereira Comércio de Carnes e Derivados Ltda, que em quatro anos emitiu R$ 172 milhões em notas fiscais sem que tenha movimentado um só centavo em suas contas bancárias. A empresa também não recolheu nada em tributos incidentes sobre esta movimentação.

A Polícia Federal analisará o material apreendido nos endereços que foram alvo de busca e apreensão, interrogará todos os investigados e ouvirá as testemunhas dos fatos já identificadas. O inquérito policial que materializa a investigação será concluído nos próximos 60 dias.

Fonte: Site Última Instância

Outubro 4, 2006





Painéis ao lado da rotatória no final da avenida Faria Lima

Poluição visual

A Câmara Municipal da cidade de São Paulo aprovou, no final do mês passado, projeto de lei que extingue a publicidade exterior na cidade. Outdoors, painéis eletrônicos, anúncios em prédios, táxis, ônibus estão proibidos. A iniciativa foi da Prefeitura, que contou com o apoio do Instituto dos Arquitetos do Brasil, teve por objetivo acabar com o cenário caótico que havia tomado conta da capital.

A medida não é nenhuma novidade. Cidades como o Rio de Janeiro e Nova Iorque já haviam adotado, acumulando ganhos na qualidade ambiental e sem agravar os índices de desemprego. O número de pessoas empregadas por essas empresas é considerado pequeno.

O projeto Cidade Limpa, proposto pelo prefeito Gilberto Kassab, deu um prazo para que as empresas retirem as propagandas até março de 2007. Se não o fizerem, receberão multas de R$ 10 mil. As fachadas dos estabelecimentos comerciais também seguirão um padrão estabelecido pelo projeto aprovado pelos vereadores paulistanos.

Kassab pretende abrir concorrência para a exploração do mobiliário urbano como espaço publicitário, com contrapartida das empresas vencedoras. Em Nova Iorque, por exemplo, a exploração de 3,3 mil abrigos de ônibus renderam ao governo local, por meio de um contrato de 20 anos, US$ 100 milhões.

Em Rio Preto, a situação caminha para um cenário caótico igual ao existente em São Paulo e alguma medida precisa ser tomada urgentemente. Muros, fachadas, prédios inteiros, terrenos são usados como plataforma de cartazes, painéis, totens e telas cada vez maiores e mais agressivos. A multiplicação descontrolada desses painéis parece tiririca. Eles vão se alastrando e tomando conta da cidade. Muitos ameaçam a segurança dos motoristas e prejudicam a visão. Caso exemplar, são os três painéis que acabam de ser instalados ao lado da rotatória no final da avenida Faria Lima (foto). Aliás, os painéis estão no canteiro central da avenida Benedito Rodrigues Lisboa para quem quiser ver.

Precisamos, também em Rio Preto, adotar medidas para garantir a qualidade de vida da população e a qualidade ambiental. Não é possível continuar desse jeito. É necessária uma padronização e critérios mais rígidos para a instalação ou não da publicidade exterior.