O vice-presidente da República e candidato à reeleição, José Alencar, esteve ontem em Rio Preto pedindo votos para a coligação Força do Povo, encabeçada pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva. Ele dá como favas contadas a vitória de Lula. Na cidade, defendeu o presidente das acusações dos adversários. Disse que Geraldo Alckmim não deveria fazer campanha ofendendo Lula. Aproveitou o encontro político preparado pelo prefeito Edinho Araújo, para contar um pouco de sua história. Como bom mineiro que é, falou manso e conquistou a platéia.
Receita de voto à mineira
Ziraldo
"Segundo o Mauro Santayana, que não nasceu em Minas -- como o Itamar, que nasceu no mar -- , mas é uma instituição mineira, a gente tem que ter muito cuidado com paulista.
É claro que estou tratando a coisa como uma brincadeira, somos todos brasileiros (meus seis netos nasceram em São Paulo, a esposa do meu filho e os maridos de minhas filhas são paulistas e estou muito feliz com essa arrumação).
Como em nossa História, porém, nós, mineiros, andamos de pinimba revolucionária com a paulistada, as lendas correm soltas.
Os cariocas diziam que mineiros compravam bondes.
Compravam, sim, confirmam alguns mineiros mais espertos; mas pra vender pra paulistas.
Conta-se também que mineiros nunca se importavam de ver seus times sempre perdendo para os times paulistas.
E explicavam: Futebol nós perde; o que nós num perde é revolução.
Segundo o Mauro, que explica como a frase que vou citar surgiu - história da qual me esqueci -, a rapaziada de Minas mais próxima de São Paulo avisa pro resto da mineirada: "Paulista, nem à prazo nem à vista!"
Taí o Fernando Henrique Cardoso que não deixa a mineirada mentir, não é mesmo, Itamar?
Bem, depois de ler esta introdução e ver lá em cima o título do artigo, os mineiros que me leêm neste instante e para quem um pingo é letra já perceberam onde quero chegar.
Pra simplificar, antes de entrar em considerações é só lembrar ao meu povo -- mineiro, como vocês sabem, chama o povo lá de casa de povo -- que nós, o Brasil inteiro, ficamos, a esta altura, entregues a duas possibilidades paulistas:
Ou entra o Álck'min (cujo sobrenome é um desrespeito a Minas, terra dos alquimíns de Bocaiuva) ou entra o Lula que, no fundo, é um metalúrgico paulista que venceu na vida.
Nunca podemos nos esquecer de que, quando FHC assumiu, o projeto deles era o de ficar 20 anos no poder.
Dentro do plano, tiveram a cachimônia (adoro esta palavra!) de inventar o acontecimento mais antiético da história da República brasileira: a reeleição.
Ela foi um sujo golpe às instituições, uma medida que nem os militares da ditadura tiveram a coragem de perpetrar, realizada em causa própria -- com o principal beneficiário no poder -- e conseguida da maneira mais desonesta de que se tem notícia: comprando, por preço nunca sabido, o voto dos deputados que, sem que a imprensa brasileira se escandalizasse ao nível do que se escandaliza hoje, começavam a desmoralizar mais ainda o nosso tão desmoralizado Congresso.
Tudo começou com essa gente. E eles querem voltar ao poder.
"No pasarán!" - os mineiros têm a obrigação de dizer.
A trajetória política do Lula serviu para provar que a alma humana é que atrapalha todos os mais nobres planos de salvação de um povo.
A verdade é que ninguém, mas ninguém mesmo, ama o povo. É tudo conversa.
As pessoas se movem em torno do poder e só depois é que descobrem uma causa para justificar sua luta por ele (o poder).
Enquanto o ser humano, como indivíduo, mover-se em função do rancor, da carência afetiva e da inveja, não haverá possibilidade de êxito para qualquer causa coletiva.
Mas isso é outra história.
O Luis Fernando Veríssimo descobriu a pólvora: Lula é o sertão - vejam sua vitória no Norte e Nordeste; na alma do povo ele é mais de lá do que de São Bernardo - e o Alckmin é da Daslu.
Delenda Daslu! Não é possível que nós, mineiros - depois de termos cometido o erro que o Itamar cometeu, este de inventar essa deletéria figura do Fernando Henrique - vamos agora eleger o Alckmin.
Um erro, nós admitimos, dois, não - como diria o macaco que não devolveu o troco a mais na primeira compra e exigiu o troco a menos na segunda.
Tenho certeza de que o Aécio está no palanque apoiando o Alckmin por uma questão de lealdade ao seu partido -- onde ele me parece um estranho no ninho, mas já que está lá... -- e não por convicção.
Ele sabe que Lula tem que ganhar disparado em Minas neste segundo turno para evitar que Alckmin assuma a presidência e mele o projeto nacional de ter o Aécio como presidente do Brasil no próximo pleito.
Então, é isto: o Aécio está falando que é pra gente de Minas votar no Alckmin.
Mas, todo mineiro sabe que isto é como aquela velha anedota da rodoviária: "Ocê tá dizendo que vai pra Manhuaçu pra eu achar que ocê vai pra Manhumirim, mas, ocê vai é pra Manhuaçu, mesmo".
Ou seja, ele tá dizendo pra nós votá no Geraldo, mas é pra nós votá no Lula, mesmo.
Para aplacar a consciência dos possíveis eleitores do Lula que não votarão nele com muita alegria, prestem atenção:
independente das razões que dei até agora pra nós, mineiros, votarmos no Lula, tenho outras razões mais consistentes.
Todo mundo fala do escândalo da corrupção no governo Lula.
É realmente assustador, nunca vimos pessoal mais incompetente, mais desastrado, mais canhestro e - vamos lá - mais desonesto.
Quer dizer, mais desonestos já vimos, sim.
É só lembrar que a maioria dos escândalos que são atribuídos a estes melancólicos sindicalistas da tropa do Lula, esses peleguinhos de quinta ordem, sempre foram frequentes em administrações anteriores.
Só não tiveram tanta visibilidade como têm agora.
Muitos dos escândalos que se creditam à administração Lula começam no governo anterior, como o escândalo dos sanguessugas - cujo teor de gravidade pode ser medido pelo valor atribuído ao dossiê que o denuncia - e a fabulosa aventura do Marcos Valério.
Agora tudo se denuncia, tudo se apura, ainda que tudo vá ficar por isso mesmo, mas vejam um detalhe: a turminha do Lula, meus amigos, é descartável!
Eles são ladrõezinhos de m. dos quais o país pode se livrar com um peteleco. Vai ser fácil ficar livre deles.
O que nós nunca conseguiremos é livrarmo-nos da oligarquia brasileira, dos bornhauses da vida, dos jereissatis, dos ACMs, dos ricos paulistas que já tiveram a coragem de confessar: Somos todos corruptos!
É essa gente que herdou as capitanias hereditárias e que está montada no povo desde que os portugueses chegaram aqui.
É essa gente que construiu a parte indecente da história do nosso país. É essa gente que fala em ética, mas acha que aceitar voto de qualquer um é correto.
É essa gente farisaica que pensa que é melhor do que o povo do Lula.
Mas, não é.
Temos que dar mais uma chance a este segmento da sociedade que chegou ao poder com o Lula.
Eles estão sendo minados o tempo todo, mas, pelo menos, são outra gente. Não quero de volta os hipócritas da paulicéia desvairada. Prefiro o messianismo sertanejo do Lula.
Fonte: O Tempo (MG)
Outubro 5, 2006
Organização envolve frigoríficos da região
Polícia Federal prende 78 na Operação Grandes Lagos
A Polícia Federal prendeu, até o momento, 78 pessoas na tarde desta quinta-feira (5/10), na Operação Grandes Lagos, deflagrada pela manhã. O objetivo da ação é desbaratar uma grande organização criminosa envolvendo frigoríficos estabelecidos na região dos Grandes Lagos, no interior do Estado de São Paulo, sobretudo nos municípios de Jales, Fernandópolis e São José do Rio Preto, acusados da prática, dentre outros, dos crimes de sonegação fiscal e estelionato.
Segundo a assessoria da Polícia Federal, a operação conta com a participação de cerca de 700 policiais federais para cumprir mais de cem mandados de prisão e 143 mandados de busca e apreensão.
As buscas estão sendo realizadas em cinco Estados: São Paulo, Mato Grosso do Sul, Bahia, Minas Gerais e Goiás, em dezenas de cidades diferentes. Além da PF, participam da ação a Receita Federal, Secretaria da Receita Previdenciária e Ministério Público Federal.
A estrutura da organização criminosa seria composta por 159 empresas, incluindo suas filiais, e 173 pessoas que já foram identificadas. As funções de cada um no grupo variam: há os "cabeças", os "laranjas", os "gerentes", os servidores públicos, os "facilitadores" e os "taxistas".
As investigações foram iniciadas a partir de denúncias de um mega-esquema de sonegação fiscal cometido por um grupo que atuaria na região há pelo menos quinze anos. Verificava-se que nem as empresas, nem seus sócios, possuíam qualquer patrimônio em seu nome para honrá-las, indícios de que as pessoas que constavam do quadro societário destas empresas eram apenas ¿laranjas¿, e que as empresas fiscalizadas haviam sido constituídas com a única finalidade de sonegar tributos.
Na investigação, a Polícia Federal contou com a colaboração da Receita Federal e da Secretaria da Receita Previdenciária, ambas de São José de Rio Preto/SP.
Prejuízos
O prejuízo causado pela organização criminosa ultrapassa a soma de R$ 1 bilhão, em tributos e multas federais, estaduais e municipais que deixaram de ser recolhidos nos últimos anos e em créditos fictícios de ICMS que foram gerados mediante simulação de operações comerciais que não existiram de fato.
Fazem parte da organização criminosa mais de cem empresas. Para se ter uma idéia, apenas cinco destas empresas tiveram movimentação financeira, nos últimos cinco anos, de mais de R$ 2.200.000.000 (dois bilhões e duzentos mil reais), sem recolher um centavo sequer em tributos aos cofres públicos.
Das empresas criadas com o único propósito de emitir notas fiscais frias, destaca-se a Pereira & Pereira Comércio de Carnes e Derivados Ltda, que em quatro anos emitiu R$ 172 milhões em notas fiscais sem que tenha movimentado um só centavo em suas contas bancárias. A empresa também não recolheu nada em tributos incidentes sobre esta movimentação.
A Polícia Federal analisará o material apreendido nos endereços que foram alvo de busca e apreensão, interrogará todos os investigados e ouvirá as testemunhas dos fatos já identificadas. O inquérito policial que materializa a investigação será concluído nos próximos 60 dias.
Fonte: Site Última Instância
Outubro 4, 2006
Painéis ao lado da rotatória no final da avenida Faria Lima
Poluição visual
A Câmara Municipal da cidade de São Paulo aprovou, no final do mês passado, projeto de lei que extingue a publicidade exterior na cidade. Outdoors, painéis eletrônicos, anúncios em prédios, táxis, ônibus estão proibidos. A iniciativa foi da Prefeitura, que contou com o apoio do Instituto dos Arquitetos do Brasil, teve por objetivo acabar com o cenário caótico que havia tomado conta da capital.
A medida não é nenhuma novidade. Cidades como o Rio de Janeiro e Nova Iorque já haviam adotado, acumulando ganhos na qualidade ambiental e sem agravar os índices de desemprego. O número de pessoas empregadas por essas empresas é considerado pequeno.
O projeto Cidade Limpa, proposto pelo prefeito Gilberto Kassab, deu um prazo para que as empresas retirem as propagandas até março de 2007. Se não o fizerem, receberão multas de R$ 10 mil. As fachadas dos estabelecimentos comerciais também seguirão um padrão estabelecido pelo projeto aprovado pelos vereadores paulistanos.
Kassab pretende abrir concorrência para a exploração do mobiliário urbano como espaço publicitário, com contrapartida das empresas vencedoras. Em Nova Iorque, por exemplo, a exploração de 3,3 mil abrigos de ônibus renderam ao governo local, por meio de um contrato de 20 anos, US$ 100 milhões.
Em Rio Preto, a situação caminha para um cenário caótico igual ao existente em São Paulo e alguma medida precisa ser tomada urgentemente. Muros, fachadas, prédios inteiros, terrenos são usados como plataforma de cartazes, painéis, totens e telas cada vez maiores e mais agressivos. A multiplicação descontrolada desses painéis parece tiririca. Eles vão se alastrando e tomando conta da cidade. Muitos ameaçam a segurança dos motoristas e prejudicam a visão. Caso exemplar, são os três painéis que acabam de ser instalados ao lado da rotatória no final da avenida Faria Lima (foto). Aliás, os painéis estão no canteiro central da avenida Benedito Rodrigues Lisboa para quem quiser ver.
Precisamos, também em Rio Preto, adotar medidas para garantir a qualidade de vida da população e a qualidade ambiental. Não é possível continuar desse jeito. É necessária uma padronização e critérios mais rígidos para a instalação ou não da publicidade exterior.